11 de mar de 2018

Avaliar: a capital de Cuba e minha formação

Esses dias tenho refletido muito sobre Avaliação, com meus alunos, mas também como aluna no curso de Pedagogia, sob a orientação da Professora Theresa Virgínia.
Por sua mão fui convidada a relembrar minhas vivências com a avaliação e fazer um relato de experiência.
Lembrei-me de episódio que partilho com vocês.


O processo avaliativo, no meu percurso escola sempre foi voltado para medir, e às vezes apenas para testar o conhecimento. Não tinha, na grande maioria das vezes, a preocupação com o ganho ou a evolução alcançados. Não era mesmo importante que eu conseguisse travar com êxito batalhas individuais e alcançasse pequenas vitórias, o que importava sempre era verificar o escore final obtido no teste escrito, nem sempre bem elaborado.
Outro aspecto que me lembro vivamente era a grande valorização dada a memorização do conteúdo. Quanto a isso me lembro que minha professora de geografia da 6ª séria determinou a toda a turma que decorasse as capitais dos países da América Central. Eu era uma criança de 11 anos, isso está muito distante no tempo, mas lembro muito bem de tentar decorar por horas uma lista com os vinte países e suas capitais, a maioria deles era a primeira vez que escutava falar (Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Cuba, Dominica, República Dominicana, Granada, Haiti, Jamaica, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago).
Foram dias andando de um lado para o outro com a lista da mão, tentando decorar para responder à sabatina que seria realizada em sala de aula. Até durante o trajeto para a escola no dia da prova oral eu ainda tentava decorar. Meu coração estava ansioso, uma prova oral de assunto tão distante de mim, que seria feita da seguinte forma, a professora apontaria o aluno, este se levantaria, ela diria o país e o aluno deveria dizer qual a sua capital, isso me era assustador à época, e acredito que me assustaria até hoje se acontecesse novamente.
Começou a prova e eu via meus colegas serem chamados e alguns acertarem e outros errarem as capitais solicitadas, minhas mãos ficaram frias e suadas. A caneta azul, para os acertos, trabalhava bem menos que a caneta vermelha, usada para os erros. Chegou a minha vez:
_ Adriana!
A voz imperativa me fez levantar em um salto, e acho que no meu levantar, tudo o que eu tinha aprendido foi para uma gavetinha e foi trancado a chaves, porque na minha memória só ficou o rosto severo da professora a anunciar o país que eu devia dizer sua capital:
_ Qual a capital de Cuba?
Baixei a cabeça, e a professora já pegou a caneta vermelha.
_ Não lembro, professora. Disse com uma lágrima teimando em sair.
_ Não lembra ou não sabe?

E fui forçada a dizer, mesmo sabendo que não era verdade:
_ Não sei, professora.
_ Quero dizer para vocês que desse jeito não vão chegar a ser nada nessa vida.
O nome dessa professora apagou-se da minha memória, talvez porque para mim sua marca tenha se resumido nesse episódio.
Mas algumas coisas ficaram:

Percebi, com o tempo, que não preciso saber as capitais da América Central para ser alguma coisa nessa vida. Percebi que confiar na minha memória em momento de grande tensão é um risco grande. E finalmente, nunca mais esqueci que a capital de Cuba é Havana.

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