28 de mar de 2011

Eu Acuso

Este texto recebi por e-mail...
E acredito que mereça divulgação.
A docência, hoje, tem se tornado uma profissão de risco.
Abraços
Adriana

Eu Acuso
Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor Universitário.

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio.
Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!). A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”.
Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”.
A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”.
Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”.
Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima.
O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo.
Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

20 de mar de 2011

O uso da vírgula


Em comemoração aos 100 Anos da Associação Brasileira de Imprensa ABI, foi criada uma campanha muito interessante sobre o uso da vírgula. Todos nós sabemos da importância de se expressar bem... Mas sempre vale o lembrete.
Recebi este texto por e-mail, mas encontrei o vídeo e acho que vale a pena dar um olha:
http://www.youtube.com/watch?v=uWKpx5Ls1zg

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere...
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
Uma vírgula muda tudo.


Detalhes Adicionais:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.
* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
 * Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM..

13 de mar de 2011

A velhice: o desfio de ser idoso sem a obrigação de ser jovem.


As etapas da vida, como se encontram desenhadas atualmente, são uma invenção recente. Até o século XIX as crianças eram tidas como pequenos adultos sem qualquer importância para a sociedade, foi só a partir desta época que a infância passou ser compreendida como uma etapa do desenvolvimento humano e aos poucos galgou os degraus que a elevou, em nosso país, por exemplo, a uma condição que detém a condição de prioridade absoluta. Assim também aconteceu com a adolescência, bem mais recentemente, já no século XX, que ficou conhecido como o século da adolescência, onde esta foi estudada e reconhecida, com a descoberta da puberdade e das mudanças psíquicas[i]. Se o século XIX descobriu a infância e o século XX descobriu a adolescência, podemos fazendo um paralelo a grosso modo e dizer que o século XXI é o século da velhice.

Os animais não nasceram para envelhecer, seu ciclo de vida é definido pelo nascimento, pela maturação sexual, conseqüente procriação e morte. Eles apenas envelhecem quando em cativeiro, protegidos contra as doenças e os predadores. O ser humano, por outro lado, luta pela capacidade de envelhecer e de viver cada vez mais. Infelizmente, seu intento de imortalidade nunca será alcançado.[ii]

A velhice ao longo da história veio sempre acompanhada de um estereótipo pouco simpático, onde o idoso era visto como um estorvo, alguém que já não era mais produtivo, ou um doente real ou potencial. Em algumas sociedades o idoso podia alcançar o status de guru espiritual ou chefe tribal, mas esta função não era dada a todos os idosos. A elevação na expectativa de vida foi fundamental para que a velhice passasse a ter a preocupação que hoje alcançou, não só nas políticas públicas como no alcance de direitos e proteção contra a violência.[iii] No Brasi l “[...] a esperança de vida, que era em torno de 33,7 anos em 1950/1955, passou para 50,99 em 1990, chegou até 66,25 em 1995 e deverá alcançar 77,08 em 2020/2025.”[iv], desta forma o estudo da velhice e suas peculiridades tornou-se essencial porque todos nós temos real possibilidade de alcançarmos uma idade mais avançada.
Como durante muito tempo a velhice foi tida como uma fase de vida onde já não se era mais produtivo, onde o velho era acolhido pelos filhos e netos como uma obrigação indesejada, em muitos casos, ou era colocado em depósitos de gente, que eram conhecidos como asilos de idosos, a mudança de foco, o aumento da expectativa de vida e a importância que as pessoas com mais de sessenta anos passaram a ter na sociedade exigiu uma mudança também terminológica, para dar uma sensação mais eufêmica a esta fase da vida.
Os asilos passaram a se chamar casas de repouso, os velhos passaram a ser chamados de idosos ou de pessoas na “terceira idade”, ou como se tem ouvido mais recentemente pessoas na “melhor idade”. A velhice passou a ser vista como um estado de espírito, e os idosos querem manter seu espírito sempre jovem.
Manter a juventude eternamente é o sonho da humanidade desde que esta se reconheceu como tal, e está presente em todas as sociedades seja na mitologia, seja na recompensa em estados metafísicos pós-morte, todavia a busca pela juventude eterna impede, muitas vezes, que as pessoas vivam plenamente cada fase de suas vidas, com as peculiaridades que cada uma possui.
Ser velho, idoso ou está na terceira idade com qualidade não é ser jovem de espírito, mas é ser velho em plenitude, porque ser velho não é ruim, não é degradante, pelo contrário, é ter alcançado uma fase da vida que deve ser almejada, porque como diz o dito popular “só não envelhece quem morre cedo”, é ter acumulado uma larga experiência em muitos campos, é poder ser referência de vida. Negar à velhice a sua importância, enquanto fase de vida, é negar ao idoso a possibilidade de ser idoso, e obrigá-lo à procura eterna da juventude que nunca será alcançada.
Chegar aos sessenta, setenta, oitenta ou mesmo ultrapassar os cem anos com vitalidade e saúde, o que tem sido cada vez mais comum, não é sinônimo de uma juventude prolongada, mas é a grande possibilidade de se reconhecer que a velhice é uma fase de vida que não é sinônimo de doença, fragilidade, debilidade ou estorvo, mas assim como qualquer fase do desenvolvimento humano tem sua beleza, seu encanto e seus problemas e deve ser estudada e tratada como a fase que é.


[i] LEPRE, Rita M. Adolescência e construção da identidade. Disponível em: <http://psicologia.org.br/internacional/pscl36.htm>. Acesso em 29 jan. 2010.
[ii] SANTOS, Geraldine A. dos. Os conceitos de saúde e doença na representação social da velhice. In: Revista Virtual Textos & Contextos, nº 1, nov. 2002. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/viewFile/937/717>. Acesso em 29 jan. 2010.
[iii] Em 2003 foi sancionada a lei 10741, mais conhecida como estatuto do idoso, que tem protege as pessoas com mais de 60 anos de idade.
[iv] ALMEIDA, Thiago de. Amor e sexo após os 60 anos:utopia ou realidade. Disponível em: <http://thiagodealmeida.com.br/site/files/pdf/artigo5.pdf>. Acesso em 29 jan. 2010.

4 de mar de 2011

Perseguição

Um quadrinho para lembrar aos meus alunos para não correr neste carnaval...
Bjs