17 de dez de 2011

Teoria das Janelas quebradas

Para começarmos, pergunto: Quantos furtos de residência chegam a ser efetivamente apurados? Quantos roubos em paradas de ônibus ou em sinais de trânsito merecem atenção da polícia? Quantas noticias-crimes de lesões corporais e ameaças chegam a algum resultado prático? E qual a mensagem que se passa com a tolerância a estes delitos?
A teoria das Janelas Quebradas surgiu a partir de um estudo publicado na Revista Atlantic Monthly, em 1982, por James Q. Wilson (Cientista Político), e George Kelling  (Psicólogo Criminalista), intitulado ‘The Police and Neiborghood’, nele os autores estabeleciam a relação de causalidade entre desordem e criminalidade. Para tanto eles usaram um estudo de que demonstrava que nos locais onde não se reprime os pequenos delitos a criminalidade tende a aumentar.
O nome “janelas quebradas” vem de um experimento realizado por Philip Zimbardo, psicólogo da Universidade de Stanford. Ele deixou dois automóveis em bairros diferentes, um onde a ordem era mantida e outro onde havia muita sujeira e desordem. No primeiro, o carro ficou intacto por várias semanas, enquanto que o outro foi depredado e furtado em poucas horas. Levando o estudo um passo a frente, o pesquisador quebrou as janelas do carro estacionado e em poucas horas, este automóvel também foi depredado.
Mais tarde Kelling, em estudo conjunto com Colin afirmou que “Assim como a desordem leva à criminalidade, a tolerância com pequenos delitos e contravenções, leva, inevitavelmente à criminalidade violenta” (Kelling e Coles, 1996).
Esta teoria embasou, posteriormente a Tolerância Zero que foi adotada na cidade de Nova Iorque para combater a grande quantidade de delitos que ali acontecia, primeiro nos metros, depois se estendendo para outras zonas da cidade.
As maiores críticas a esta teoria são, de acordo com Dantas Pimentel, que os principais alvos da teoria das “janelas quebradas” são “os excluídos da economia capitalista, os não-consumidores, os remediados, aqueles que são considerados irrecuperáveis e, desse modo, devem ser neutralizados”, e ainda que “a tolerância zero tende a jogar nas malhas da justiça criminal um número cada vez maior de pequenos delinquentes, os quais acabam voltando para as ruas sem que qualquer esforço adicional de mudança de suas condições de vida seja empreendido pelo poder público.”
No entanto, entendemos como Daniel Sperb Rubin que “A broken windows theory e a "operação tolerância zero" são, ao contrário do que normalmente se pensa, muito mais políticas de prevenção à criminalidade violenta, do que propriamente política criminal de repressão.”
Acredito que a tolerância com a criminalidade de pequeno monte estimula a criminalidade violenta.

Um comentário:

  1. Concordo Plenamente com a conclusão de Vossa Senhoria, parabéns!

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